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ARTIGOS

CAPITÃO ANTONIO HONORATO SILVA LIMOEIRO (1798-1887): UM MATUTO COMENDADOR

 


Casa sede da Fazenda Barra Nova, no município de Mombaça, onde o capitão Antonio Honorato Silva Limoeiro efetuou as prisões de Estácio José da Gama e de João Cariri, no ano de 1834, e onde residiu até o seu falecimento em 1887, aos 89 anos de idade. Fotografia: Francisco de Assis Vieira Sá, obtida em 28 de agosto de 2015.

Fernando Antonio Lima Cruz

Ao me deparar com o resultado do XXV Baile das Personalidades, promovido pelo Leo Clube de Mombaça - Centro, do qual tive a honra de ser associado, que se realizará no próximo dia 11 de março, no Planáltico Clube de Mombaça, e que contemplará as personalidades mombacenses que se destacaram no ano de 2016 em 115 categorias, lembrei-me de um fato ocorrido no século XIX com um antepassado mombacense, que passo a narrar logo abaixo, sem nenhum demérito para os agraciados.

O personagem era o capitão Antonio Honorato Silva Limoeiro (1798-1887), trineto paterno da pernambucana Maria Pereira da Silva, que foi Juiz de Paz (cujas atribuições, no Império, eram divididas em quatro categorias: conciliatórias, judiciárias, policiais e administrativas), Subdelegado de Polícia, Inspetor de Aulas e presidente da Câmara Municipal de Maria Pereira, no período de 1865 a 1868, e que faleceu na Fazenda Barra Nova, aos 89 anos de idade.

No ano de 1834, o capitão Honorato prendeu dois assassinos, um dos quais de um crime cometido em Quixeramobim, cuja vítima fora assassinada no dia de seu casamento e que teve grande repercussão na Província do Ceará. Mesmo com o noivo moribundo, o casamento foi realizado, ficando conhecido como as "bodas de sangue".

Por seu ato de bravura o capitão Honorato foi agraciado pelo governo imperial brasileiro com a Imperial Ordem de Nosso Senhor Jesus Cristo, uma das mais altas honrarias concedidas pelo império brasileiro.

Mas o modesto fazendeiro, avisado de que teria que pagar na Alfândega os emolumentos regimentais para receber o honroso título, desistiu da alta mercê, explicando aos amigos:

- Tinha muita graça: um matuto comendador! Seria um motivo de troça. Era só o que faltava!

Dele diz José Jucá em seu artigo "Crimes célebres do Ceará", publicado na Revista do Instituto do Ceará, de 1914:

"Decorridos mezes, recebia o digno funccionario a Commenda da Ordem de Christo com que o Imperador galardoava tamanha bravura; título que foi, entretanto, regeitado (sic) pelo louvável desprendimento de quem, maior do que essas honras vans, que verdadeiro valor dão à gente, tinha o seu próprio merecimento innato. Não sabemos o que elle possuia em mais alto gráo: si a coragem do bravo, que vence, se a elevação dos grandes espíritos, que dominam. Nesse edificante acto de abnegação está, por certo, o seu maior heroismo, a glorificação de sua nobreza."

(Publicado no jornal Folha de Mombaça, Ano XLI, nº 186, Fevereiro/2017).

Referências bibliográficas:
BENEVIDES, Augusto Tavares de Sá e. Mombaça: biografia de um sertão. Fortaleza: Imprensa Oficial do Ceará, 1980.
JUCÁ, José. Crimes célebres do Ceará. Revista do Instituto do Ceará, Fortaleza, Ano XXVIII, pp. 262-285, 1914.
LIMA, Esperidião de Queiroz. Antiga família do sertão. Rio de Janeiro: Agir, 1946.




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