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Padre Sarmento de Benevides: poder e política nos sertões de Mombaça (1853-1867)
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ARTIGOS

ELEIÇÕES MUNICIPAIS: UMA PEQUENA BATALHA DOMÉSTICA

 


José Marques de Sousa (à direita, meu padrinho de batismo e casado com a minha tia materna Francisca Lima de Sousa) transmitindo a José Jaime Benevides (à esquerda) o cargo de prefeito municipal de Mombaça, em março de 1971.

Fernando Antonio Lima Cruz

No último dia 4 de outubro faleceu em Mombaça, aos 79 anos de idade, o ex-vereador José Pedrosa de Pádua, o Dedé Militão. José Pedrosa de Pádua foi eleito vereador da Câmara Municipal de Mombaça para as legislaturas 1973-1977 e 1977-1983, porém, não cumpriu o seu segundo mandato legislativo.

Conforme publicado no jornal Tribuna do Ceará, de 05/04/1977, no dia 2 de abril daquele ano, o vereador José Pedrosa de Pádua renunciou ao mandato em protesto contra a exoneração de Francisco Sidrião de Alencar Freitas, o Chico Alencar, da função de agente local do Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural (Funrural). Tal ato beneficiou a Sr.ª Ana Zenaide de Oliveira, primeira suplente da Aliança Renovadora Nacional (Arena), que era esposa do ex-prefeito municipal de Mombaça José Jaime Benevides (cujo nome de batismo era José Sidrião de Alencar Benevides, tendo posteriormente alterado o seu nome de origem), que exerceu a chefia do executivo municipal mombacense por três mandatos, nos períodos de 1951-1955, 1963-1967 e 1971-1973.

O falecimento do ex-vereador Dedé Militão me trouxe algumas reminiscências das eleições municipais mombacenses de 1976. A ditadura civil-militar entre as várias aberrações impostas criou a “sublegenda” que permitia que antigos adversários políticos da União Democrática Nacional (UDN) e do Partido Social Democrático (PSD), de ideologias diferentes, convivessem sob a mesma sigla partidária, com a criação do bipartidarismo, em facções internas diversas.

Naquele ano eleitoral, na sucessão do então prefeito municipal José Valdomiro Távora de Castro, o diretório municipal da Aliança Renovadora Nacional (Arena), dividido internamente, lançaria dois candidatos a prefeito: Emílio Gress (apoiado pelo prefeito e pelo governador Adauto Bezerra) e José Jaime Benevides (rompido com o prefeito e correligionário político do ex-governador César Cals) contra a candidatura de Walderez Diniz Vieira (aliado do deputado estadual Francisco Castelo de Castro e do deputado federal Antonio Paes de Andrade), do Movimento Democrático Brasileiro (MDB). O ex-prefeito municipal José Jaime Benevides foi o fiel da balança naquelas eleições municipais, pois, isolado politicamente e ciente das suas remotas chances de vitória para exercer um quarto mandato, renunciou à sua candidatura e passou a apoiar a candidatura do emedebista Walderez Diniz Vieira que obteve 7.772 votos, enquanto que o candidato arenista Emílio Gress obteve 7.288 votos. O emedebista Walderez Diniz Vieira eleito inicialmente para um mandato de quatro anos foi aquinhoado com mais dois anos, exercendo a chefia do executivo municipal mombacense no período de 1977-1983. Meu pai, Etevaldo Lima Cruz, foi um dos seus colaboradores exercendo a função de fiscal geral lotado no Serviço de Tributação e Fiscalização, no período de 1º de setembro de 1977 a 1º de maio de 1978, e de tesoureiro, a partir de 2 de maio de 1978 até o final da gestão.

Tradicionalmente as eleições municipais mombacenses são marcadas pela polarização, dividindo famílias e desfazendo amizades, quase sempre refeitas após o calor da disputa eleitoral. Àquela época, na inocência dos meus 7 anos de idade, subia no batente da janela da residência dos meus pais, situada no número 164 da Rua Padre Sarmento (vizinha ao número 170 do casarão das minhas tias-avós maternas Luisinha, Mariinha e Júlia Fagundes, carinhosamente tratadas por nós, seus familiares, como Nininha, Titia e Dudu), para colar na parede da fachada os cartazes de propaganda do nosso candidato a prefeito municipal Walderez Diniz Vieira (que tinha como slogan de campanha “CHEGOU A VEZ, WALDEREZ 76”). Minha tia-avó materna Luisinha, a proprietária do imóvel, como as demais irmãs, uma ferrenha eleitora do Zé Jaime, sorrateiramente empunhando um cabo de vassoura rasgava os cartazes cuidadosamente colados por mim. As minhas tias-avós maternas Fagundes não seguiram a orientação do líder político Zé Jaime naquela eleição. Depois tudo voltava ao normal. Era só mais uma eleição municipal!

(A ser publicado no jornal Folha de Mombaça, Ano XLIV, nº 218, Outubro/2019).




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