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Padre Sarmento de Benevides: poder e política nos sertões de Mombaça (1853-1867)
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Clique para ouvir o depoimento de Fernando Cruz à rádio Assembléia FM 96,7 sobre a história político-administrativa de Mombaça, em 16/03/2009.
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ARTIGOS

ELEIÇÕES MUNICIPAIS: UMA PEQUENA BATALHA DOMÉSTICA

 


José Marques de Sousa (à direita, meu padrinho de batismo e casado com a minha tia materna Francisca Lima de Sousa) transmitindo a José Jaime Benevides (à esquerda) o cargo de prefeito municipal de Mombaça, em março de 1971.

Fernando Antonio Lima Cruz

No último dia 4 de outubro faleceu em Mombaça, aos 79 anos de idade, o ex-vereador José Pedrosa de Pádua, o Dedé Militão. José Pedrosa de Pádua foi eleito vereador da Câmara Municipal de Mombaça para as legislaturas 1973-1977 e 1977-1983, porém, não cumpriu o seu segundo mandato legislativo.

Conforme publicado no jornal Tribuna do Ceará, de 05/04/1977, no dia 2 de abril daquele ano, o vereador José Pedrosa de Pádua renunciou ao mandato em protesto contra a exoneração de Francisco Sidrião de Alencar Freitas, o Chico Alencar, da função de agente local do Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural (Funrural). Tal ato beneficiou a Sr.ª Ana Zenaide de Oliveira, primeira suplente da Aliança Renovadora Nacional (Arena), que era esposa do ex-prefeito municipal de Mombaça José Jaime Benevides (cujo nome de batismo era José Sidrião de Alencar Benevides, tendo posteriormente alterado o seu nome de origem), que exerceu a chefia do executivo municipal mombacense por três mandatos, nos períodos de 1951-1955, 1963-1967 e 1971-1973.

O falecimento do ex-vereador Dedé Militão me trouxe algumas reminiscências das eleições municipais mombacenses de 1976. A ditadura civil-militar entre as várias aberrações impostas criou a “sublegenda” que permitia que antigos adversários políticos da União Democrática Nacional (UDN) e do Partido Social Democrático (PSD), de ideologias diferentes, convivessem sob a mesma sigla partidária, com a criação do bipartidarismo, em facções internas diversas.

Naquele ano eleitoral, na sucessão do então prefeito municipal José Valdomiro Távora de Castro, o diretório municipal da Aliança Renovadora Nacional (Arena), dividido internamente, lançaria dois candidatos a prefeito: Emílio Gress (apoiado pelo prefeito e pelo governador Adauto Bezerra) e José Jaime Benevides (rompido com o prefeito e correligionário político do ex-governador César Cals) contra a candidatura de Walderez Diniz Vieira (aliado do deputado estadual Francisco Castelo de Castro e do deputado federal Antonio Paes de Andrade), do Movimento Democrático Brasileiro (MDB). O ex-prefeito municipal José Jaime Benevides foi o fiel da balança naquelas eleições municipais, pois, isolado politicamente e ciente das suas remotas chances de vitória para exercer um quarto mandato, renunciou à sua candidatura e passou a apoiar a candidatura do emedebista Walderez Diniz Vieira que obteve 7.772 votos, enquanto que o candidato arenista Emílio Gress obteve 7.288 votos. O emedebista Walderez Diniz Vieira eleito inicialmente para um mandato de quatro anos foi aquinhoado com mais dois anos, exercendo a chefia do executivo municipal mombacense no período de 1977-1983. Meu pai, Etevaldo Lima Cruz, foi um dos seus colaboradores exercendo a função de fiscal geral lotado no Serviço de Tributação e Fiscalização, no período de 1º de setembro de 1977 a 1º de maio de 1978, e de tesoureiro, a partir de 2 de maio de 1978 até o final da gestão.

Tradicionalmente as eleições municipais mombacenses são marcadas pela polarização, dividindo famílias e desfazendo amizades, quase sempre refeitas após o calor da disputa eleitoral. Àquela época, na inocência dos meus 7 anos de idade, subia no batente da janela da residência dos meus pais, situada no número 164 da Rua Padre Sarmento (vizinha ao número 170 do casarão das minhas tias-avós maternas Luisinha, Mariinha e Júlia Fagundes, carinhosamente tratadas por nós, seus familiares, como Nininha, Titia e Dudu), para colar na parede da fachada os cartazes de propaganda do nosso candidato a prefeito municipal Walderez Diniz Vieira (que tinha como slogan de campanha “CHEGOU A VEZ, WALDEREZ 76”). Minha tia-avó materna Luisinha, a proprietária do imóvel, como as demais irmãs, uma ferrenha eleitora do Zé Jaime, sorrateiramente empunhando um cabo de vassoura rasgava os cartazes cuidadosamente colados por mim. As minhas tias-avós maternas Fagundes não seguiram a orientação do líder político Zé Jaime naquela eleição. Depois tudo voltava ao normal. Era só mais uma eleição municipal!

(Publicado no jornal Folha de Mombaça, Ano XLIV, nº 218, Outubro/2019).




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