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ARTIGOS

NOS SERTÕES DE MOMBAÇA

 


Barros Alves, no Sítio São João, em Mombaça.

Barros Alves*

Nos sertões crestados de Mombaça, onde o sol parece mais ígneo, mais luminoso e tão quente que afogueia o nosso juízo, foi enterrado meu umbigo. Mais precisamente nas imediações do Sítio São João, situado pras bandas do lugar Massapê, hoje assentamento do Incra, de vida lenta e inconsequente, como tudo o mais submetido ao assistencialismo estéril de governos naturalmente incapazes. Apesar de tudo, o imperecível sentimento telúrico nos leva a esse rincão que nos viu nascer e permanece aprazível, até porque, com a metrópole insuportável, é no campo que buscamos a paz e a tranquilidade exaurida nas grandes cidades.

Atribui-se a Santo Agostinho a afirmação de que Deus fez o campo e o Diabo fez a cidade. Por agora, não seria de todo inverídico se disséssemos que o diabo está também investindo na seara rural, posto que as mazelas urbanas adentram sem dó nem comiseração na placidez da ruralidade, carcomendo gradas tradições e os costumes mais caros à formação da juventude.

Mas, o clã do Sítio São João e circunvizinhanças, talvez pela força do exemplo moral impresso na memória de todos pelo líder José Francisco Alves, conhecido como Zé Chico da Caiana, ainda mantém sentimentos de retidão ética, respeito às hierarquias familiares, honestidade no proceder. Sem esquecer que nesse sertão adusto da minha velha Mombaça, as noites são mais estreladas e o brilho da lua nos remete aos tempos da infância e das cantigas de ninar entoadas pela minha mãe adotiva, Tereza, eternamente o “Meu Amorzinho”. A brisa da noite nos propicia o cheiro bom do mato que nos entrega na nostalgia das lembranças a poesia imorredoura da vida campestre.

A ausência quase total da chuva, a terra seca e o sol causticante parece que temperam mesmo a fibra do homem sertanejo. Sem perder o sentido poético da vida. Lembro que quando publiquei um livrinho de poesia – “Poemas de Longo Apelo” –, sob os auspícios da Secretaria de Cultura do Estado, o titular, meu amigo Barros Pinho, de grata memória, me cobrou um breve escorço biográfico.

Não me fiz de rogado e lhe enviei uns rabiscos: “Nasci nos sertões adustos/ De Minha velha Mombaça,/ A parteira disse logo,/ Que nasci pra tirar raça,/ Sou formado em Poesia/ E doutorado em cachaça.” De igual modo, o poeta Rangel, improvisa versos populares e alegra as conversas nos encontros da comunidade ao calor das tardes domingueiras. A memória familiar presente nos versos do poeta: “Tinha a casa de vovô/ Onde morou mais vovó./ Era uma casa de taipa/ Feita de barro e cipó./ Ali nosso avô guardava/ Arroz, feijão, milho e fava/ Na pucumã do paió.”/// “Vovó fumava um canão,/ Vovô fumava cigarro,/ Tinha aquela tradição/ De falar alto e dar esparro,/ Escola não existia/ E tia Tereza sofria/ Pra educar Chico Barro.” O Chico Barro sou eu.

(Publicado no jornal O Estado, Edição nº 23.324, de 24 de julho de 2018). 


Barros Alves

*Barros Alves. Nasceu em Mombaça-CE, em 9 de julho de 1957. Escritor, poeta e jornalista. Pertence à Academia Cearense de Retórica; à Academia de Letras dos Municípios do Estado do Ceará; Academia Cearense de Hagilogia; Academia Cedrense de Letras; Círculo Monárquico do Ceará; Comissão Cearense de Folclore; Instituto Memória de Canindé; Movimento Parlamentarista Monárquico; Recta Ratio; Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço; Sociedade Cearense de Geografia e História; Sociedade dos Poetas e Escritores de Maracanaú. Trabalhos publicados: A Literatura de Cordel como instrumento de conscientização (ensaio) – Prêmio Leonardo Mota de Folclore, concedido pela Secretaria de Cultura e Desporto do Estado do Ceará, 1982; Tancredo Neves na Literatura de Cordel (ensaio), 1985; Poemas de Longo Apelo (poesia), 1988; Leonardo Boff, um profeta injustiçado, 1991; Cachaça, Cordel e Cantador (ensaio), 1993; Festejos Joaninos e Outras Festas Juninas (ensaio), 1997. Literatura de cordel: ABC das eleições diretas; A morte do Dr. Tancredo e o pranto do povo brasileiro; A chegada de Delfim Neto no inferno; Em defesa da cachaça; História de Damião Galdino, o paraibano que queria dar um jumento ao papa.


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